Sobre o IF

           Criado em fins de 2014, o propósito do Instituto Futuro é atuar como propulsor de reflexões e de ações sobre questões emergentes nos diversos campos do conhecimento que envolve a vida dos seres humanos, do Planeta, de todos os seres vivos. Busca, como declarado no seu documento de fundação, “alcançar elevados padrões acadêmicos a partir da promoção de um ambiente reflexivo e ativo, dedicado às prospecções sobre o futuro e fundamentado nas experiências recentes e do passado”.
O Instituto Futuro (IF), portanto, tem a atribuição de ser fomentador nos três âmbitos de ação da UFPE – o ensino, a pesquisa e a extensão – e com isso, em parte, ele se diferencia dos objetivos encontrados nos pioneiros Institutos de Estudos Avançados do Brasil e de outros países, cujo foco central se concentra na pesquisa científica. Isso porque a UFPE entende ser sua responsabilidade fortalecer e fazer caminhar de forma conjunta o Ensino, a Pesquisa e a Extensão Universitária.

            Entre as atividades do IF está o que denominamos de Prospecta│Recife, promoção de reuniões, seminários, exposições que incentivem o debate, o estudo e ações que perpassem as fronteiras dos Conhecimentos; que busquem reconhecer novos horizontes nos campos da Ciência, do Humanismo e da Cultura, bem como naqueles campos que resultam das interfaces disciplinares; que mais amplie as relações da UFPE com a Sociedade, a partir de atividades nos seus três âmbitos de ação.

O texto a seguir orienta as possibilidades de reflexões que poderemos estabelecer durante o Biênio 2016/2017:

A Teoria do Conhecimento, em seus estudos evolutivos, nos mostra que o ser humano avançou em suas capacidades aprendendo a lidar com o mundo, com os seus semelhantes, com os demais seres do planeta, sempre em um movimento de sobrevivência, mas também de busca por melhorar sua vida e daqueles que lhes eram próximos, a partir da vivência, da experiência. Par a par, sua constituição fisiológica teria se modificado, ajustando-se com o aprendizado da vida, em novos modos de se alimentar; na confecção de instrumentos que lhe trouxessem mais conforto e agilidade. A técnica foi criada, portanto, como uma espécie de extensão do corpo humano.
Hoje, o domínio do ser humano é surpreendente, o conhecimento tendo atingido graus inimagináveis. Quem pensaria que chegaria o dia em que, vivo, pleno de suas capacidades, o ser humano veria o interior do seu cérebro em funcionamento e começaria um longo caminho em direção a descoberta de como acontecem nossos sentimentos, nossa cognição? Ou, que avançaríamos em direção ao desvendar do Universo? Que criaríamos máquinas que facilitariam os diagnósticos de doenças graves e até bem pouco tempo, incuráveis?

Por outro lado, pelo uso abusivo das potencialidades ambientais, por deixarmos de lado a preocupação com a Ética, quem pensaria que chegaríamos aos níveis de periculosidade em relação a vida do Planeta e, consequentemente, do próprio ser humano? Na discussão sobre “O Futuro da Técnica e sobre o futuro do Planeta”, mais urgente, agora, parece ser não as máquinas maravilhosas que aprendemos a criar e as tantas outras que ainda podemos inventar, mas, como preservar a vida e como reaver a consciência ética entre nós, seres humanos.

Na discussão sobre “O Futuro da Técnica e sobre o futuro do Planeta”, mais urgente, agora, parece ser não as máquinas maravilhosas que aprendemos a criar e as tantas outras que ainda podemos inventar, mas, como preservar a vida e como reaver a consciência ética entre nós, seres humanos.

Humberto Galimberti, pensador italiano, a esse respeito nos diz que, no Curso da Evolução, os seres humanos perderam o instinto animal e para se adaptarem ao ambiente criaram a Técnica. Entretanto, ele acrescenta que ficamos dela tão dependentes que nos tornamos funcionários dessa mesma Técnica. Ele nos alerta que o papel da Técnica é funcionar e não
tomar decisões pelos seres humanos:

A técnica, de fato, não tende a um objetivo, não promove um sentido, não abre cenários de salvação, não redime, não desvenda a verdade: a técnica funciona (Galimberti, 2006: p. 8).

No Brasil, o professor Laymert Garcia nos lembra que a partir dos Anos 90 as inovações tecnológicas deixaram o espaço restrito dos laboratórios para fazer parte do cotidiano das pessoas, não só no meio urbano, mas nos recantos mais distantes do Planeta. E diz que isso por um lado encurtou distancias, facilitou a comunicação entre os povos, mas, por outro,

A Tecnosfera (a segunda natureza) suplantou de vez a Natureza, rompendo-se então a concepção puramente utilitária que tínhamos da tecnologia. Descobrimos que a potência das máquinas se exerce em todas as dimensões da vida de um modo muito mais extenso e intenso do que poderíamos imaginar – seus efeitos colaterais, seus riscos, seus acidentes, estão também em toda parte.

Paralelamente, no passado recente, o professor Milton Santos, ao mesmo tempo que dizia que

A globalização atual e as formas brutais que adotou para impor
mudanças levam a urgente necessidade de rever o que fazer com as
coisas, as ideias e também com as palavras (p. 154),

Afirmava que muito se fala dos progressos e das promessas da técnica, da engenharia genética, da mutação do homem biológico, mas que, no entanto,

Pouco se fala das condições, também hoje presentes, que podem assegurar uma mutação filosófica do homem, capaz de atribuir um novo sentido a existência de cada pessoa e também do Planeta (p. ).

Se, no entender de Humberto Galimberti vivemos a Idade da Técnica, segundo Laymert Garcia, o modo de vida atual gera um impacto que se faz sentir com uma intensidade de tal modo nova que urge ser estudado, como busca de garantia ética do futuro da vida no e do Planeta.

Então, com esse cenário, o futuro dos conhecimentos de fronteira passam a ser uma retomada de conceitos aparentemente superados, como os de Indivíduo, Identidade, Liberdade, Salvação, Verdade, mas também aqueles que deveriam ser sempre perenes, como Natureza, Ética, Política, Historia. É esse o enfoque de discussão que a UFPE, neste tempo de aniversário dos seus 70 Anos de existência, através do seu Instituto Futuro, estabelece para o Biênio 2016-2017 em todas as áreas do conhecimento.

Uma das prerrogativas do IF é estar atento as questões ecológicas e de sustentabilidade que o Planeta enfrenta e por isso, ao ser criado em 2014, priorizou formas sustentáveis de divulgação, através de revista on line, de ebooks, ao tempo em que se apropria das tecnologias disponíveis, reconhecendo-as como importantes contribuições.

Em função dessa junção de fatores éticos, ecológicos e tecnológicos, a formatação de cada encontro é a que segue:

Um video com uma conferência de pensador destacado orienta o debate do dia através de mesas presenciais com palestrantes convidados da UFPE, de outras instituições e de representantes da sociedade em geral.

A re-abertura do Prospecta│Recife, acontecerá no mês de Maio, próximo, seguindo-se a partir daí, um encontro a cada mês, abrangendo o maior número possível de áreas de conhecimento, buscando sempre a interação entre disciplinas, entre conhecimentos, e sempre sob a orientação do tema do Biênio 2016-2017. No mínimo, pretendemos que ocorram 15 atividades, que antecedem a realização do Seminário do Prospecta│Recife, no final de 2017 que sintetizará o tema do Biênio. Todos os encontros serão gravados e preparados para posterior publicação em parceria com a Editora Universitária da UFPE e a Pro-Reitoria de Comunicação e Informação e Tecnologia da Informação. Os encontros acontecerão, inicialmente, no auditório 4 da Biblioteca Central (também parceira do Instituto Futuro) que está estruturado para as atividades programadas.

Professora Arq. Maria de Jesus de Britto Leite
Coordenadora do Instituto Futuro