Ética na pesquisa para o rejuvenescimento

A busca pela vida imortal povoa a mente da humanidade através dos tempos. Diante da impossibilidade dessa dádiva, há uma procura exacerbada pela manutenção da juventude e da jovialidade do corpo, mesmo diante de altos custos e algumas perdas.  A premissa é, se a permanência eterna no planeta é duvidosa, enquanto aqui se viver, que sejam adiadas todas as características de velhice possível. Observa-se que muitas pessoas têm acreditado e buscado maneiras das mais diversas e excêntricas para alcançar tais objetivos. Ficar com a aparência mais jovem é um desejo comum à maioria e uma espécie de obrigação para aquelas que têm a vida pública.

Hoje, no entanto, com a possibilidade de rejuvenescer não só a pele,mas partes do corpo – e até  reposição de órgãos feitos em laboratório com células reprogramadas do próprio paciente. Alguns estudos já relatam, de maneira polêmica, a utilização do THC com um efeito rejuvenescedor para o cérebro. Milionários californianos têm feito reuniões para financiar ensaios clínicos de substâncias antienvelhecimento, como o resveratrol e a metformina.

Há ainda um  método que promete rejuvenescer o rosto dos pacientes,  popularmente como o ‘Facelift do Vampiro’. Tal procedimento – chamado pelos médicos de terapia PRP (Plasma Rico em Plaquetas) – consiste em retirar o sangue do paciente, centrifugá-lo, extrair o plasma e injetar este de volta no rosto do paciente. Ainda não se sabe exatamente como o PRP funciona, mas um estudo publicado na revista especializada “Journal of Plastic and Reconstructive Surgery” demonstrou que extrair o plasma do sangue por centrifugação leva à liberação de níveis significativos de fatores ligados ao crescimento, que podem promover a cura de feridas e o aumento do colágeno, podendo contribuir para os efeitos estéticos. Tais efeitos se destacam ainda mais quando são examinados os neurônios dos camundongos utilizados durante a pesquisa.

Em camundongos velhos, como nos humanos, neurônios acabam envelhecendo com o tempo. Mas, uma vez que as células do cérebro de um camundongo idoso recebem o sangue jovem, elas começam a criar novas conexões com outros neurônios e ficam mais parecidas com as desses últimos. Os cientistas acreditam que algo no sangue dos jovens desencadeia um aumento na atividade de células-tronco de camundongos velhos, células que dão origem a novos neurônios.

Alzheimer
Apesar de a maioria dos estudos ter sido feita apenas em roedores, a Universidade de Stanford já começou a fazer testes em pacientes com os primeiros sinais de Alzheimer. Eles estão recebendo sangue de jovens voluntários.

alzheimer

Há ainda um novo estudo, divulgado na revista Nature de Agosto/2017. Trata-se de uma tecnologia  que permite ‘editar’ genomas. Esta pode ser usada para corrigir mutações patogênicas hereditárias em embriões humanos. Ou seja, em um futuro próximo, doenças causadas por mutações persistentes em determinadas famílias poderão ser eliminadas do pool genético da espécie. Será possível ativar programas de expressão gênica para adicionar, eliminar ou modificar características específicas. Eventos metabólicos próprios do envelhecimento celular serão revertidos.   Para os muito ricos, morrer parecerá cada menos um destino e mais uma opção, configurando aquilo que o historiador Yuval Harari chama de “Projeto Gilgamesh”, nome do herói sumério obcecado com a conquista da imortalidade. Dentro de alguns anos talvez mesmo a classe média tenha acesso franco a essas benesses da biologia, estendendo o tempo de existência de cada indivíduo muito além do que se crê possível hoje.

Mas o que será a IMORTALIDADE? E o que faremos com ela? Estamos preparados para suas consequências? Como lidaremos com a superpopulação? E que doenças psicológicas terríveis podem advir de não morrer?

superpopulação

A superpopulação é uma da problemáticas apontadas pelo neurobiólogo Sidarta Ribeiro caso fosse possível prolongar a existência de cada indivíduo muito além do que se crê possível hoje.

A discussão parte agora para saber se existe um limite à essa busca para o rejuvenescimento e quais serão as consequências advindas do reparo constantes na aparência na tentativa de se chegar à simbólica vida de Gilgamesh.

Fontes:

Artigo ” O dilema de Dorian Gray”, por Sidarta Ribeiro

Folha.com

enfermagemestetica.com.br

 

 

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