A Neurodidática e mitos sobre a aprendizagem

Nos últimos anos a neurodidática, que estuda como o cérebro aprende, está transformando a educação. O grande avanço é que, graças aos equipamentos de neuroimagem, é possível ver a atividade cerebral no momento em que as tarefas são realizadas e, assim, detectar quais são os métodos de aprendizagem mais eficazes. Mas essa revolução traz um risco: a má interpretação, por parte dos educadores, de algumas descobertas científicos. “São o que chamamos de neuromitos. O problema é que algumas instituições de ensino estão baseando suas novas pedagogias nessas crenças falsas”, diz Anna Forés, professora da faculdade de Educação da Universidade de Barcelona e coautora do livro Neuromitos en Educación.. Estas são três das crenças falsas mencionadas no livro:

1- Aprendemos melhor quando recebemos a informação de acordo com nosso estilo de aprendizagem:

visual, auditivo ou cinestésico (falso). Howard Gardner, psicólogo e professor da Universidade de Harvard, revolucionou o mundo da educação com sua teoria das inteligências múltiplas. Foi o primeiro a propor que existem oito tipos de inteligência (linguística, lógico-matemática, corporal, musical, espacial, naturalista, interpessoal e intrapessoal), independentes entre si, e que cada pessoa se destaca no manejo de uma ou de várias.

No entanto, além dessa teoria, algumas instituições de ensino começaram a elaborar novas metodologias focadas nas habilidades em que, por natureza, nos damos bem: a visual, a auditiva ou a cinestésica – relacionada aos movimentos corporais.

2- Utilizamos apenas 10% do nosso cérebro (falso).

“A neurociência demonstrou que, na realização de tarefas, utilizamos 100% de nosso cérebro”, afirmam no livro José Ramón Gamo, neuropsicólogo infantil e diretor do Mestrado em Neurodidática da Universidade Rey Juan Carlos, e Carme Trindade, professora da Universidade Autônoma de Barcelona. “Tecnologias como a ressonância magnética ajudaram a conhecer melhor os níveis de atividade cerebral e provaram que somente em casos de danos graves provocados por uma lesão cerebral é que se observam áreas inativas no cérebro”, ressaltam. Também se comprovou que até mesmo durante o sono todas as partes de nosso cérebro apresentam algum nível de atividade.

3 Ouvir Mozart nos torna mais inteligentes e melhora nossa aprendizagem (falso).

Já se comprovou que a formação musical acarreta maior rendimento cognitivo: a aprendizagem de um instrumento desenvolve a audição, a motricidade, a intuição e o raciocínio espaço-temporal. “Daí a afirmar que ouvir uma peça de música clássica, e em particular de Mozart, pode deixar a criança mais inteligente porque aumenta uma de suas funções executivas – capacidades relacionadas à gestão das emoções, à atenção e à memória que permitem planejar e tomar decisões adequadas – e que, com isso, a criança alcançará um maior domínio de disciplinas como a língua e a matemática há uma notável diferença”, diz Félix Pardo, professor da Pós-graduação em Neuroeducação da Universidade de Barcelona.

Texto original El País Brasil

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