Prospecta V- O Futuro do Ambiente (Resenha)

“Falar do Ambiente também é falar do futuro da ética e da vida”. Foi com essa reflexão que a coordenadora do Instituto Futuro, Maria de Jesus Britto Leite, introduziu a quinta edição do evento.

Como em todas as edições, antes das discussões acerca do tema, foi exibido o vídeo com o objetivo de incorporar mais ideias sobre o assunto. Nessa feita foi mostrado o vídeo Vivir Bien/Buen Vivir onde o Fernando Huanacuni, advogado boliviano que se dedica a investigar a cosmovisão ancestral e a história dos povos indígenas originários, fala a respeito da preservação da vida como um todo. Segundo ele, a comunidade é uma estrutura de vida e não somente as pessoas, mas todos os seres da natureza fazem parte desse conjunto social. É preciso que haja uma harmonia, um saber viver, um equilíbrio entre esses diferentes seres. As colocações do Fernando são dignas de uma reflexão mais aprofundada em até onde cada elemento é importante para o funcionamento adequado do planeta.

Para o sociólogo Gustavo Costa Lima, não podemos deixar de colocar a hipótese do Antropoceno (CRUTZEN, 2002) que traz a multiplicidade de crises e de como as diversas variáveis contribuem para novos problemas, podendo assim também explicar os problemas ambientais atuais. Os novos problemas ocorrem de forma sistêmica, o que para Weber (1984,2004) são também resquícios da dominação do mundo pela civilização ocidental, tendo como protagonista, o capitalismo, através do tratamento do humano como estando fora da natureza.

O efeito disso, para Gustavo, é uma série de feitos que surgem na relação dos humanos consigo mesmos, com a sociedade e dos humanos entre si. Remetendo ao debate sobre a sustentabilidade, se esta traz muitos significados, precisa-se definir sempre por que e para que vai se ‘sustentar’. Segundo Gustavo, o termo ‘Sustentabilidade’ é mais adequado que o ‘Economia Verde’, que foi introduzido na RIO+20. Ele concluiu a palestra evocando a educação como solução, ainda que apenas funcionando a longo prazo, podendo essa agir também na diminuição da desigualdade, pois esta, olhada pelo âmbito da interferência capitalista, é um dos resultados da degradação do Ambiente.

Em sua exposição, o economista e cientista político Pedro Rafael Lapa, representante do Terra Livre trouxe a importância dos movimentos populares dentro da defesa do Ambiente. Tais grupos trabalham na busca de novas informações e isso é muito importante dentro da pesquisa que visa enfraquecer aqueles que degradam a natureza. Segundo Pedro, há atualmente muitos hectares outrora espaços intocados que estão, de contínuo, passando por transformações para que possam servir de campos agrícolas. Na sua busca por liberdade e por uma posição nacional nas vias econômicas, acabou-se por fim preso às algemas do agronegócio.

Para Lapa, a saída para sanar a crise ambiental é voltando às práticas camponesas de cultivo da terra, pois para ele a questão da sustentabilidade(termo que sugere que ainda há tempo para um consumo equilibrado, não emergencial) torna-se inválida à medida que nem todas as nações se comprometem com a proteção.

Em suma, diante do que foi colocado pelos palestrantes e das intervenções do público, fica muito clara a urgência por novas práticas e atitudes para uma retomada de controle da preservação. É evidente que as oscilações do governo acaba por influenciar nas políticas públicas para preservação e um investimento em educação pode servir de propulsor a um futuro sustentável.

Por Rosângela Silva

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s